Alguns acreditam que colocar brasilidade é fazer a história se passar no Brasil, mas não basta isso. Americanos fazem histórias no Brasil e elas continuam sendo completamente americanas. A coisa é mais profunda.
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| — | César Silva, escritor e publicitário, discutindo o tema da brasilidade pela lista de email do Clube de Leitores de Ficção Científica (via aprendizdeescritor) |
From the moment he begins to use words like colours in a painting, a writer can begin to see how wondrous and surprising the world is, and he breaks the bones of language to find his own voice. For this he needs paper, a pen, and the optimism of a child looking at the world for the first time.
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| — | Orhan Pamuk, in Other Colours: Essays and a Story (via fenmura) |
O escritor é uma pessoa que passa anos tentando descobrir com paciência um segundo ser dentro de si, e o mundo que o faz ser quem é: quando falo de escrever, o que primeiro me vem à mente não é um romance, um poema ou a tradição literária, mas uma pessoa que fecha a porta, senta-se diante da mesa e, sozinha, volta-se para dentro; cercada pelas suas sombras, constrói um mundo novo com as palavras. Esse homem - ou essa mulher - pode usar uma máquina de escrever, aproveitar as facilidades de um computador ou escrever com caneta no papel, como venho fazendo há trinta anos. Enquanto escreve, pode tomar chá ou café, ou fumar. De vez em quando, pode se levantar e olhar pela janela as crianças que brincam na rua e, se tiver sorte, contemplar algumas árvores e uma bela vista, ou apenas topar com uma parede escura. Pode escrever poemas, peças de teatro ou romances, como eu. Mas todas essas particularidades só vêm depois da decisão crucial de sentar-se diante da mesa e, pacientemente, voltar-se para dentro. Escrever é transformar em palavras esse olhar para dentro, estudar o mundo para o qual a pessoa se transporta quando se recolhe em si mesma - com paciência, obstinação e alegria. Enquanto passo os dias, os meses, os anos sentado à minha mesa, acrescentando pouco a pouco novas palavras à página em branco, sinto-me como se criasse um mundo novo, como se trouxesse à vida aquela outra pessoa que existe dentro de mim, da mesma forma como alguém poderia construir uma ponte ou uma abóbada, pedra por pedra. As pedras que usamos, nós os escritores, são as palavras. Quando as colhemos com as mãos - tentando intuir a maneira como cada uma se conecta às outras, contemplando-as às vezes de longe, às vezes quase chegando a acariciá-las com os dedos e a ponta da caneta, sopesando-as, virando-as de um lado e de outro, ano após ano, sempre com paciência e esperança -, criamos novos mundos.
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| — | A maleta do meu pai, Orhan Pamuk (Companhia das Letras, tradução de Sergio Flaksman) |




